Igreja mais próxima dos Ciganos

A Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) promoveu este fim-de-semana o seu 36º Encontro Nacional, reunindo cerca de 75 participantes de várias dioceses. Nas conclusões dos trabalhos, foi lançado o apelo para que esta área da Pastoral seja “voz e presença da Igreja junto dos ciganos”.

“A cultura cigana enriquece a própria Igreja e deveria ter uma expressão na Liturgia”, refere o documento final, enviado à Agência ECCLESIA.

Neste é referido que é “necessário ultrapassar a pobreza da resposta pastoral que as Dioceses dão à população cigana, envolvendo mais os leigos, que devem ter um papel significativo e activo nesta área da pastoral”.

A Igreja, acrescenta-se, deve fomentar o Diaconado Permanente “dentro da Comunidade Cigana como forma de criar agentes de evangelização inseridos no meio, que sejam aceites pela comunidade”.

Deste Encontro Nacional saiu ainda o pedido de “responsabilização dos ciganos pela solução dos problemas que os afectam”.

A iniciativa teve por objectivo analisar os principais problemas que as populações ciganas enfrentam actualmente e a respectiva resposta pastoral em Portugal e em Espanha, com vista a definir linhas pastorais que sejam adequadas à realidade cigana actual.

Participou no Encontro o Padre António Jesus Heredia Cortez, cigano, Director Nacional da Pastoral dos Ciganos em Espanha, que expôs as linhas e actividades da Pastoral dos Ciganos no seu país.

Maria Helena Torres, responsável do Gabinete de Apoio às Comunidades Ciganas (GACI), do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Inter-Cultural (ACIDI), expôs aos participantes o Projecto de Mediadores Municipais promovido por esta entidade do governo.

A ONPC apresentou o projecto do Fórum Ibérico sobre a Etnia Cigana, ideia de um cigano, que conta com o apoio da ONPC e que se realizará em 8 e 9 de Abril de 2010, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian.

O próximo Encontro Nacional realizar-se-á de 19 a 21 de Novembro de 2010, em Beja.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=76255

Publicado em:  on 19 19UTC Dezembro 19UTC 2009 at 11:43 Deixe um comentário
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Espetáculo de dança apresenta a cultura cigana

Em seu primeiro ano de atividade, Karine Oliveira Studio de dança apresenta o espetáculo “Romale – Uma Noite Cigana”. A apresentação será realizada hoje, às 21h, no Teatro Municipal. Cerca de 80 pessoas participam das coreografias de balé clássico, jazz, dança do ventre, dança indiana e dança cigana.

De acordo com Karine Oliveira, proprietária da academia, a escolha do tema ocorreu com a intenção de desmistificar a cultura cigana. “Além da beleza, a cultura deles é um mistério. A relação dos ciganos com a dança é bastante forte e encanta muito”, afirmou. Segundo ela, a cultura cigana engloba diversas danças, mas em sua opinião, a dança espanhola é a que se destaca mais.   

Para abordar de forma mais ampla, os costumes e a história do povo cigano, entre as coreografias do espetáculo serão apresentados vídeos com depoimentos de ciganos que estão espalhados pelo país. A trajetória dos ciganos ao longo do tempo, por locais como Oriente Médio, Europa e especificamente no Brasil, será caracterizada através dos figurinos dos bailarinos e do cenário apresentado, mudando de acordo com a região.   

Entre os convidados do espetáculo estão o Núcleo Místika de Cláudia Bittencourt e as participantes do Programa Maturidade Ativa do Sesc. Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente no valor de R$ 12, na secretaria do Studio, localizado na rua Andradas, 275, e na hora do espetáculo na bilheteria do Teatro Municipal no valor de R$ 15.

Fonte: http://www.jornalagora.com.br/site/index.php?caderno=19&noticia=75119

Menina cigana queimada em ataque neonazista deixa o hospital

PRAGA — A menina tcheca de 2 anos de idade, de origem cigana, que sofreu queimaduras graves durante um ataque neonazista em abril, recebeu alta do hospital nesta quarta-feira, segundo a agência de notícias local CTK.

“O tratamento foi muito duro. Nenhuma criança da idade dela com ferimentos tão graves havia sobrevivido antes neste país”, indicou Michal Kadlcick, chefe da unidade de queimados do hospital onde a pequena ficou internada, na cidade de Ostrava, leste da República Tcheca.

Natalka Sivakova, de dois anos, teve mais de 80% do corpo queimado no dia 19 de abril, quando um grupo de neonazistas atirou três coquetéis Molotov dentro da casa onde ela morava com os pais, na cidade de Vitkov.

A polícia indiciou quatro suspeitos da extrema-direita, acusados de tentativa de homicídio. Se condenados, podem passar de 12 a 15 anos na prisão.

A garota, que superou três crises de septicemia no hospital, agora precisa de transplantes de pele para 60% do corpo. Ela também precisará frequentar uma clínica duas vezes por semana para trocar os curativos.

“Dizer ‘obrigada’ (para os médicos) não é suficiente. É uma recompensa insignificante por terem salvo a vida dela. Gostaria de abraçar todos eles”, disse Anna Sivakova, mãe de Natalka, antes de levar a filha para casa depois de oito meses de internação entre a vida e a morte.

A família comprou uma nova casa com a ajuda de um fundo público, em uma vila a cerca de 10 quilômetros de sua antiga residência.

A República Tcheca registrou 11.746 ciganos em seu censo oficial de 2001, mas especialistas calculam que o número atual pode chegar a 300.000.

 

FONTE: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5jIU9rXmgfkDOupLX-q7daFScBiTQ

Ciganos se reúnem e discutem políticas públicas

Depois de realizados encontros de quilombolas, povos de terreiro, indígenas, pescadores artesanais e extrativistas, chegou a vez do primeiro ciclo de debates dos povos ciganos na Bahia. No evento, que acontece na quinta-feira (5) e na sexta-feira, no Hotel Plaza, no bairro de Armação, em Salvador, eles vão apontar que tipo de políticas públicas o segmento precisa.

Essa iniciativa de convocação é da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), por meio do Programa de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais.

“As principais reivindicações dos diversos clãs de ciganos é a inclusão social e a superação do preconceito e dos estereótipos atribuídos a eles”, disse a coordenadora do programa da Sedes, Ana Placidino.

Ritmos árabes e ciganos vão contagiar no TEMPO

Os sons contagiantes do violino e flauta misturados com muita dança prometem deixar marcas no público que passar, amanhã, pelo Teatro Municipal de Portimão (TEMPO).

A enérgica banda portuguesa Melech Mechaya actua no café concerto do espaço cultural e a animação e a festa estão garantidas logo à entrada.

A viagem pela música klezmer oferece uma sonoridade extremamente contagiante. De forma inteligente os Melech Mechaya unem aromas árabes e ritmos ciganos à tradição judaica, unindo ainda momentos mais delicados e intimistas. O grupo promete muito riso e dança, num espectáculo que chega mesmo a ser desaconselhado a cardíacos.

Da Hungria a Israel, dos Balcãs a Nova Iorque, o grupo faz das suas actuações verdadeiras festas e celebrações de público em pé e cadeiras vazias.

Com origens no século XV, a música klezmer formou-se a partir do estabelecimento de uma forte comunidade judaica nos países da Europa Central e de Leste. Desenvolveu-se assim um estilo musical marcado em termos instrumentais pela forte presença do violino e da flauta e, mais tarde, do clarinete.

O animado concerto começa às 22h00 no primeiro piso do TEMPO, onde o público assiste sentado à mesa do café. A entrada é gratuita.

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=742EEA6C-9CC9-416B-AF53-E4A797E522E1&channelid=00000185-0000-0000-0000-000000000185

Município cria laços de futuro com a comunidade cigana

São vários os programas de apoio e inclusão social que a autarquia pôs em prática contra a exclusão desta etnia

É uma imagem habitual ver-se a comunidade cigana a interagir. No entanto, numa interacção que apenas se constitui dentro dessa mesma comunidade, onde os outros cidadãos da sociedade em geral são como que interditos de entrar. E, o mesmo acontece, por vezes, ao contrário, pois nem sempre a sociedade vê com bons olhos a presença de uma comunidade cigana. Os sinais do tempo conseguiram, porém, habituar o novo conceito de sociedade a olhar de outra maneira para a diferença e a integração. Neste caminho segue a Câmara de Idanha-a-Nova que conta já com um leque considerável de programas de apoio à integração.

“Alguma coisa tinha que ser feita, estas pessoas estão cá e temos que os integrar para que se sintam bem, porque se isso acontecer, tudo será mais tranquilo e todos se vão dar muito melhor entre si”, explicou Daniel Fonseca, presidente da Junta de Freguesia da Zebreira, uma aldeia onde se encontra uma grande comunidade cigana.

Nesta Freguesia chegaram a existir conflitos entre populares e até necessidade da intervenção da GNR. Mas, verificou-se por “experiência” que o caminho não é o da repressão, mas antes o da tolerância. “Integrar deve ser a palavra de ordem”, referiu ainda Daniel Fonseca.

Algumas são já as iniciativas colocadas no terreno e, a que decorreu na sexta-feira passada, precisamente na Freguesia da Zebreira, foi uma delas.

A Câmara de Idanha tem a circular pelas várias freguesias do município, três carrinhas temáticas que pretendem ir ao encontro daquilo que são as necessidades da população, fazendo face a algumas lacunas existentes. Carrinhas estas que não são uma novidade para a população em geral, mas que continuavam alheias ao conhecimento desta comunidade de ciganos.

A Unidade Móvel de Saúde é uma dessas carrinhas. Aliás, “é de longe” a mais procurada, nestes quatro anos de funcionamento. No fundo, é uma carrinha apetrechada com os utensílios básicos de saúde e que faz, entre outros serviços, rastreios ao colesterol, à diabetes e ainda medição da tensão arterial.

(…) A notícia continua na íntegra na edição impressa do Jornal.

Fonte: http://www.gazetadointerior.pt/seccoes/index.asp?idn=9586

Leilão de sapatos de Madonna arrecada cerca de 17 mil dólares para ciganos

Modelo Dior exclusivo foi doado por cantora para grupo romeno

A cantora Madonna doou sapatos Christian Dior para a educação de crianças ciganas da Romênia. O par – feito exclusivamente para ela – foi leiloado em um baile de Halloween em Bucareste, capital do país.

De acordo com o jornal “The Huffington Post”, os sapatos foram vendidos por cerca de 16 600 dólares. A cantora chamou a atenção para a situação do grupo durante um show no país, onde os ciganos são discriminados.

Fonte: http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1369225-9798,00-LEILAO+DE+SAPATOS+DE+MADONNA+ARRECADA+CERCA+DE+MIL+DOLARES+PARA+CIGANOS.html

“Éramos mais que ciganos do Tejo”

Manuel do Vau sai de casa na tarde soalheira de uma quinta-feira com a expressão de quem gosta de companhia para conversar. O avieiro, para quem Vila Franca de Xira se tornou casa há 45 anos, é uma das figuras mais respeitadas da sua comunidade. O veterano, 77 anos, responde à curiosidade de quem dele se aproxima com a segurança de quem é visto como um porta-estandarte da tradição que, no concelho, ainda marca as zonas ribeirinhas de algumas freguesias.

“Se o tempo voltasse à época em que eu era pequeno, no que respeita a trabalho, havia quem morresse só de susto”, graceja Manuel do Vau. Nascido com o apelido da Cunha na localidade do Vau, em plena Lezíria Grande, o avieiro cresceu entre a pesca do sável no Tejo e a lavoura. “O Alves Redol escreveu num livro que éramos como ciganos do rio. Há quem não goste, mas critique porque não viveu esse tempo. Numa noite, dormíamos um bocado em Vila Franca, outro na Vala do Carregado, outro mais acima. Para mim éramos mais que ciganos do Tejo nesse sentido”.

Filho de mãe avieira e pai natural da Murtosa, perto de Estarreja, Manuel do Vau começou a trabalhar aos sete anos de idade. “Na pesca, a minha função era puxar as cordas das redes. Na agricultura, fiz de tudo. Semeio, monda, ceifa. Parti os torrões que ficam depois de a terra ser lavrada e espantei os pássaros dos campos semeados”, conta. O avieiro sempre preferiu trabalhar no rio. Na pesca quanto mais se trabalha mais vontade se tem de continuar porque o que apanhamos é para nós. No campo, trabalhávamos de sol a sol, fizesse bom ou mau tempo, sem ver nada aparecer”. A pesca do sável, entre Janeiro e Maio, era o momento crucial de cada ano para os avieiros.

“Em Salvaterra havia umas mercearias que fiavam meses até chegar a época do sável. E se a campanha corria mal, havia grandes dívidas”, conta a O MIRANTE. Só que uma boa pescaria podia não significar um ano descansado. “Chegou a haver épocas e fartura de peixe em que puxávamos as redes e o almocreve (caixeiro-viajante) levantava os chumbos da rede para o peixe (sável) fugir porque não o ia conseguir vender”, relata. “O resto do ano pescávamos enguia, salmão fataça, barbo, camarão-de-rio. Alguns destes estão em vias de extinção, mas não foi da poluição do rio. Foi por causa da construção das barragens de Castelo de Bode, e mais tarde a de Belver, que impedem os peixes de percorrer o rio”, opina.

O mundo do trabalho roubou a Manuel do Vau a possibilidade de aprender a ler. A travessia do rio fazia-se, nos anos 40, de barco ou por caminhos estreitos. “Nunca fui à escola. Para ir para Salvaterra, onde ficava a mais próxima, tinha de andar hora e meia a pé. E os meus pais tinham dificuldades económicas e precisavam de mim para trabalhar”. O pai trabalhava nos “barcos de água acima”, como o “Liberdade”. “Aqui havia dois, antes de haver a ponte. Transportavam pessoas e carros, de noite e de dia”, conta.

No campo, o pai acabou por assumir as funções de capataz. A mãe, cozinheira, preparava o rancho para muitos. A minha mãe fazia sopa todos os dias, mas muita gente quase não tinha que comer. “Quando encontrava uma caldeira sem conduto roubava um bocadinho de toucinho a outra para pôr naquela que não tinha nada”, confidencia. Para quem chegava ao rio só para a campanha do sável a realidade era mais dura. “Era sável ao almoço, ao jantar, a todas as horas…com pão de milho, quando tinham”.

Do pai herdou também o gosto pela caça. Já adulto, caçar pombos bravos à negaça, soltando um manso para os atrair, tornou-se um dos seus passatempos preferidos. Cozida inteiro, em sopa de feijão com chouriço, a ave faz as delícias do avieiro.

Com o passar do tempo, Manuel do Vau, pescador e trabalhador agrícola, decidiu vir viver para Vila Franca de Xira, onde constituiu família. As filhas ficavam numa casa improvisada, naquele que viria a ser o bairro avieiro, clandestino. “Ficavam na barraquinha e tinham que fechar a porta senão ficavam com pés de fora. Atrás daquela fiz outra maior e cheguei a fazer ainda outra. “Há 40 anos chegámos a ser guardados pela polícia a mando da Administração do Porto de Lisboa porque o terreno onde se fez o bairro era deles e não nos queriam cá mas quando deram pelas casas já estavam feitas. Só ficámos mais à vontade quando veio o 25 de Abril”, conta. A entrega do terreno à câmara municipal aconteceu. E mais tarde, no anos 80, começou o processo que levaria ao abandono do bairro por muitos habitantes e à construção do actual. “Chegámos a ser 120 famílias. Davam 5000 contos para irmos embora, muitos aproveitaram e foram morar para o Porto Alto, Alhandra, Bom Retiro. Custou-me um bocado a levar a situação mas hoje já estou por tudo”, afirma.

A separação de vizinhos, amigos e familiares não quebrou a união da comunidade. Os avieiros dinamizam o seu rancho folclórico, que só parou há dois anos, para depois ressurgir. “Com o folclore juntaram-se mais pessoas aqui. A cultura em Vila Franca de Xira devia receber mais apoio. Todas as quintas-feiras ensaiamos. Cantamos e dançamos modas baseadas na pesca, nos pescadores, com um bocadinho de tradição de Vieira de Leiria. Mas estes avieiros são mais ribatejanos. A maior parte nasceu cá”. Manuel do Vau é presidente do rancho e ainda dança. “Às vezes não quero e vêm-me buscar”.

Nos tempos livres entre a pesca, que ainda pratica em conjunto com a esposa, a caça e os ensaios, Manuel do Vau não esquece a veia poética com que nasceu. Os versos de quando era jovem surgem naturalmente. “Eu hei-de passar ao vau/Que me reza a minha sina/Eu vou ao baile ao Conchoso/Ao toque da concertina /Eu passei na barca do Vau/Lá molhei a minha mão/Encostei no teu peito/Juntinho ao teu coração”. Era um bocadinho poeta, conclui, sorrindo.

 

Filho de mãe avieira e pai natural da Murtosa, perto de Estarreja, Manuel do Vau começou a trabalhar aos sete anos de idade. “Na pesca, a minha função era puxar as cordas das redes. Na agricultura, fiz de tudo. Semeio, monda, ceifa. Parti os torrões que ficam depois de a terra ser lavrada e espantei os pássaros dos campos semeados”, conta. O avieiro sempre preferiu trabalhar no rio.

 

Amor e uma nota de 20 escudos

Aos 18 anos o pai da então namorada de Manuel do Vau mandou-a ir ter com o seu mais-que-tudo. À época o acto significava um sinal para assumir a relação e viver em comunhão. “Ela tinha comprado uma mala mas sem enxoval e apareceu no Vau. Os meus pais gostavam dela. O meu pai entregou-me o barco, as mantas com que me cobria e fui ter com os meus sogros para mostrar que a filha estava “entregue”.

A sogra recebeu-os com desvelo. “Comprou duas chávenas de barro, duas colheres, dois garfos, uma panela e um tacho, mais 20 escudos para tratar dos papéis do casamento”. Mas o casamento ficaria para depois. O dinheiro foi guardado.

Um dia, Manuel do Vau resolveu gastar parte do dinheiro em melões. A tarde corria longa e fora abandonado por dois homens de Lisboa com quem combinara ir caçar codornizes na zona do Malagueiro, mostrando-lhes o terreno. Tinha ido pescar enguias aos arrozais, no concelho de Vila Franca de Xira, e no regresso ia realizar a compra. Chegado à propriedade onde ia comprar a fruta encontra os dois parceiros com quem combinara caçar, Amiais e Jorge. “Desculpa teres estado à espera. Tive um furo no carro, mas toma estes 20 escudos para te compensar”, disse Amiais. Estendeu-lhe a nota. “Boa hora que fui aos melões!”, disse mal cheguei a casa”, conta Manuel do Vau. “E até hoje, os 20 escudos nunca mais se acabaram. Não arranjei fortuna, mas cada vez que sobeja dinheiro, vai-se juntando”.

 

Um porta-estandarte dos avieiros

Manuel do Vau fica para a história dos avieiros como um verdadeiro porta-estandarte. Na época em que Daniel Branco liderava do executivo municipal era ele um dos avieiros que guiava turistas e alunos de escolas pela tradição da sua comunidade. “Chegavam a vir excursões de Vieira de Leiria para nos visitar”, conta.

A série “Uma aventura”, criada por uma emissora de televisão, gravou-lhe no início do século XXI o rosto nos ecrãs. Ali, encarnou a pele de Constantino, um passador de droga, que conduz algumas das personagens, rio abaixo, num barco, entre a Vala do Carregado e Alhandra. “Dinheiro, não obrigado. Faço tudo isto por amor”, confessa Manuel do Vau.

Por amor, ou por piedade, também já salvou potenciais suicidas das águas do Tejo. “Até agora, apanhei três, que se atiraram da Ponte Marechal Carmona. E nenhum deles morreu. Agora ganharam mais medo às águas e acho muito bem que o tenham”, conta.

 

Fonte:

http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=402&id=56190&idSeccao=6102&Action=noticia

Publicado em:  on 16 16UTC Agosto 16UTC 2009 at 22:52 Deixe um comentário

Cem ciganos romenos deixam Irlanda do Norte após ataques

Cem ciganos romenos abandonaram a Irlanda do Norte após uma série de ataques racistas em Belfast, informou a ministra de Desenvolvimento Social, Margaret Ritchie.

Ritchie afirmou que 25 dos 117 ciganos refugiados em uma igreja protestante ao sul da capital já deixaram o país depois de receber auxílio do governo para pagar pelas passagens aéreas. Outros 75 ciganos devem deixar a Irlanda do Norte nas próximas horas ou dias.

A ministra firmou ainda que poucos decidiram ficar no país, apesar dos esforços de representantes locais, políticos e agências estatais para evitar que os ciganos tivessem que deixar o país.

O grupo de cerca de 20 famílias, que inclui um bebê de cinco dias de vida, passou uma noite em uma igreja, com proteção policial –que não impediu que jovens quebrassem as janelas com pedras. Logo depois, foram deslocados para um centro de lazer público e em seguida para um bairro com algumas casas abandonadas próximas à Universidade Queen.

Os ciganos dizem terem sido vítima de ataques verbais e físicos, que culminaram com jovens irlandeses atirando garrafas e fazendo saudações nazistas durante uma passeata antirracismo realizada na semana passada.

Em um discurso perante à Assembleia, a ministra lamentou “profundamente” a decisão da maioria das famílias de deixar a Irlanda do Norte. “Não somos uma sociedade racista, mas chegou a hora de olharmos uns para os outros seriamente”, disse.

“Agora é imperativo e urgente que construamos uma sociedade melhor. Vivemos separados se nos educam de forma separada e, por tanto, não é uma surpresa que tenhamos uma atitude de “nós e eles”", completou.

Um jovem de 21 anos comparecerá nesta terça-feira em um tribunal de Belfast acusado de intimidar a vários membros da comunidade, informaram fontes judiciais.

Outros dois jovens, de 15 e 16 anos, estão em liberdade vigiada em Belfast enquanto aguardam processo em um tribunal juvenil por participação nos ataques.

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?edt=32&id=32531

Publicado em:  on 23 23UTC Junho 23UTC 2009 at 21:47 Deixe um comentário
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Direitos dos povos ciganos em pauta

Enildo Soares, 35 anos, nasceu em Paulista, na Região Metropolitana do Recife – filho de pais ciganos e brasileiros. Ele cresceu vendo seu povo ser taxado de errante e traiçoeiro. Depois de 434 anos após seu povo chegar ao Brasil, deportado de Portugal, ele espera agora ver os governos municipal, estadual e federal virarem uma página e oferecer direitos básicos para sua etnia, como saúde e educação. Enildo quer mais. Deseja derrubar tabus históricos e resgatar sua cultura, pouco a pouco esquecida entre os mais jovens. Foi por isso que ele esteve, ontem, numa reunião inédita com representantes do Ministério Público de Pernambuco e das três esferas de governo, realizada na Casa de Conselhos, no bairro da Boa Vista. Em pauta, a discussão de formas de inclusão social e os direitos dos ciganos no Brasil e no estado.

O país tem a segunda maior população mundial de ciganos, segundo dados do governo federal, e uma das maiores do Nordeste está em Pernambuco, sendo esta última concentrada em cinco municípios da Região Metropolitana do Recife e oito no interior do estado. (Veja quadro). “Estou esperando que melhore as coisas para nosso povo, porque precisamos muito de apoio social. Estou confiante porque, desde que nasci, não tinha visto um apoio desse. Também precisamos resgatar nossa língua, que está sendo esquecida pelos mais jovens”, afirmou Enildo, lembrando que o dialeto é a maior expressão do cigano.

Segundo o antropólogo Erisvelton Sávio, da Universidade Federal de Pernambuco, o encontro foi o pontapé para resgatar uma dívida com os antepassados dos ciganos em Pernambuco, todos banidos para Fernando de Noronha entre 1738 e 1739, por serem considerados como “raça impura”. A representação cigana foi pequena no evento, mas vista como uma reação ao preconceito institucional e social. Hoje, de acordo com Sávio, com tese de mestrado sobre os ciganos da RMR, a intolerância contra essa população continua grande. E isso se reproduz na vida de todos eles – o que passa bemlonge da ilusão transmitida pelas novelas. Para Sávio, também é preciso mudar a imagem de que os ciganos são apenas personagens do folclore.

Para saber mais acesse

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/06/17/urbana6_0.asp